Artigo
Atuar como mediadores de processos culturais torna-se uma das atividades possíveis para designers, na contemporaneidade. A construção da representação do outro reflete hierarquias de poder e, no caso aqui apresentado, aponta possibilidades de discursos sobre design e empoderamento feminino em uma comunidade artesã. Ao utilizar o metaprojeto como filosofia e cultura de projeto, observamos que aplicando uma de suas principais características que é a busca por reflexões durante o todo o processo, não apenas em situações isolada, acionamos a possibilidade de dar poder e voz aos codesigners, tornando-os ativos no processo de construção de representações. Para alcançarmos esses discursos das artesãs da comunidade, essa percepção precisou ser sistematizada. Dessa forma, a ideia foi a construção de uma ferramenta de gênero, pautada na fotoelicitação (PINK, 2013) para que as questões sobre mulheres, suas necessidades, e visões de mundo pudessem vir à tona. Trataremos aqui a ferramenta não como um artefato fixo, enrijecido, mas como transitória, ajustável e adaptável, considerando-a como um protótipo. A construção de uma ferramenta de fotoelicitação para a realização de uma pesquisa implica escolhas de imagens que falam sobre os critérios de aferição do empoderamento feminino, segundo os dados do Fórum Econômico Mundial. Que imagens são essas? Como o processo de construção de uma ferramenta está ligado a um processo colaborativo em design? Como nós, designers, contribuímos para a construção das identidades de gênero, especificamente no âmbito da produção artesanal? Estes questionamentos são frutos de uma pesquisa realizada em Santa Maria, comunidade quilombola localizada no município de Alcântara, MA.
Autores: Noronha, Raquel Gomes ; Araújo, Mariana Gomes Lúcio de ; Aboud, Camila de Pádua ; Souza, Frank Willian ; Portela, Raiama Lima ;
Ano de publicação: 2017
Local de publicação: Colóquio Internacional de Design 2017